Raimundo Bispo da Cruz
Aposentado como 2º tenente da Polícia Militar, se transformou
numa figura folclórica com seu carisma tipicamente nordestino
Nome de rua no Bairro Nosso Teto, Raimundo Bispo da Cruz era sergipano nascido em Lagarto aos 4 de março de 1921. Em Registro, ficou conhecido como o mais sãopaulino de todo os torcedores do São Paulo, aquele que desfilava pelas ruas com a enorme bandeira do tricolor em comemoração a cada vitória do time. Chamado de Sargento Bispo, ele se alistou na então Força Pública – hoje Polícia Militar – no dia 5 de agosto de 1947. Trabalhou em Bauru (SP), servindo também em várias unidades de São Paulo e Campinas.
Chegou ao Vale do Ribeira já na graduação de 3º sargento, onde exerceu o cargo de comandante de destacamento nas cidades de Registro (7ª Cia. – atual 14º BPM/I - por três vezes), Pariquera-Açu, Itanhaém, Juquiá, Miracatu e Iguape. Recebeu 12 elogios individuais pelos relevantes serviços prestados ao Estado. Foi reformado no dia 7 de outubro de 1975, com a graduação de 2º Tenente e a consciência do dever cumprido. Com forte espírito de liderança dentro e fora do trabalho, era um homem de bons princípios, enérgico quando necessário e solidário com seus subordinados.
“Como pai de família, foi um verdadeiro herói, um verdadeiro exemplo de responsabilidade. Prezava muito o respeito e a honestidade para com todos”, afirma o filho mais velho, Santos de Aquino Cruz. Segundo ele, sempre que Raimundo era solicitado, em qualquer situação ou hora do dia, jamais se negava a atender ou ajudar quem dele necessitasse, mesmo nas horas de folga.
Muito religioso, Raimundo era católico praticante, sempre integrado em sua comunidade. Gostava de jogar truco, dominó e futebol – suas distrações favoritas. Homem de origem rural e humilde, quando se aposentou adquiriu uma pequena chácara no Bairro das Areias, onde se ocupava com a criação de aves, coelhos e outros animais.
Seu Raimundo, ou Sargento Bispo como ficou conhecido, foi uma pessoa popular na cidade e em toda a região onde trabalhou. Pelo seu forte sotaque nordestino, pelo seu vistoso e impecável bigode, sua referência marcante, ficou conhecido também pelo jeito extrovertido que lhe rendeu muitas amizades. Amava preparar as comidas típicas nordestinas e convidar os amigos para almoçar em sua casa.
Gozou de sua aposentadoria por 11 anos. Aos 65 anos de idade, em plena saúde, foi vítima de atropelamento enquanto atravessava a pé a Rodovia Régis Bittencourt. Não resistiu aos ferimentos e faleceu no dia 30 de agosto de 1986. Casado com Maria Carvalho Cruz, Raimundo Bispo da Cruz deixou uma legião de amigos e os filhos Santinho, João, Pedro, Maria Aparecida, Raimundinho, Paulo, Terezinha e o caçula Toninho.
“Foi em uma tarde de domingo, por volta das 15 horas, em meio a muita tristeza que seu cortejo foi conduzido pelo caminhão do Corpo de Bombeiros ao cemitério local, onde uma multidão de pessoas entre as quais muitos amigos visivelmente comovidos, aguardavam o funeral. Para aquela grande multidão não significava a morte de um grande homem, significava, sim, a morte de um grande ser humano”, escreveu o filho Santos.
|